ossos
Desço as escadas e sinto de imediato a energia do lugar. Ossos, apenas ossos, dirá quem olha e não vê. Eu vejo. Vejo ossos, e história, e estórias de gente que se fundem com a história da cidade. Fecho os olhos e vejo os vestidos, vejo as cartolas, vejo os monóculos. Sinto os podres e o poder, sinto as festas e as angústias, sinto os discursos e os escândalos. Sinto na pele o toque dos brocados e dos veludos, e no ar o sussurro das sedas e dos segredos. Vejo a palidez das donzelas anémicas, oiço a tosse dos mancebos tísicos. Oiço os suspiros de amores platónicos e os ruídos das perversões das alcovas. É a cidade enterrada no templo. Nas paredes de pedra há nomes inscritos, nomes que guardam ossos. Aqui jaz a história da cidade.
Fotos: Catacumbas da Igreja de S. Francisco, Porto, Março de 2008
Música: Diary of Dreams, Tales of the silent city















